sexta-feira, 5 de agosto de 2016

domingo, 9 de março de 2014

Capela de São Joaquim dos Almeidas


Quem passa pela ponte sobre o Rio do Peixe, adiante da povoação de Manejo, indo para o Taboado, nem de longe imagina o que representa a velha capelinha, erguida próxima à ponte, à margem esquerda do Rio do Peixe. Defronte à ponte, à jusante, o rio se espraia, formando um extenso poço, onde as águas rodam, lentas e profundas. 

Entulhos da ponte demolida, colocados entre os pegões da margem direita e o central, forçam as águas pra margem esquerda e elas assim, batem no barranco e desenvolvem um grande círculo.




As margens aos poucos recuperam a vegetação que as cobria, dando à paisagem um ar selvagem e natural, não fossem a estrutura pesada da ponte com seus pilares e pegões, e a capelinha, com paredes azul claro desbotado, sujo e  os muros descascados. O terreno ao lado da capelinha, tinha sido arado para semeio de milho para forragem, plantio que ocupa a longa várzea dantes pertencente à Fazenda do Manejo, que se estende até abaixo da Vila São Geraldo, a uns cinco quilômetros rio abaixo...



Trata-se da Capela de São Joaquim, tendo próxima a si um jovem gerivá e um pequeno cemitério, cercado por velhos muros de tijolos descascados e vedado por um portão de ferro enferrujado.
Essa capela era parte da povoação de São Joaquim dos Almeidas, nome que tinha a margem "de lá" do rio, antes do advento da ferrovia e sua estação. Era a parte mais habitada então, desde meados do século XVIII, época em que o primeiro dos Almeidas aportou por essas terras vindo de Santa Rita de Ibitipoca.
A capela de São Joaquim dos Almeidas sediava regulares missas e festas, sendo em seu cemitério sepultados todos os que morreram na região antes de 1989, ano em que foi inaugurado o cemitério atual, atrás da Igreja de Nossa Senhora Aparecida. Não se sabe ao certo quando foram erigidos a capela e o cemitério, mas é voz corrente entre os mais antigos que o cemitério é bem mais antigo que o de Lima Duarte. Já que o de Lima Duarte é do início do século XIX, podemos supor que o de Manejo seja contemporâneo da fazenda, ou seja, pelo menos final do século XVIII.
Fazia parte da Fazenda do Manejo, de Manoel de Almeida Ramos, atualmente demolida e conhecida como Fazenda dos Cândidos. Nela pode ter sido batizado o menino João Evangelista de Almeida Ramos, futuro Barão de Santa Bárbara, que nasceu na Fazenda do Manejo, ao lado da capela.
A despeito de sua importância histórica, religiosa e social, jaz a capelinha em meio ao mato e ao abandono. Prova do esquecimento a que foi relegada, uma colméia de abelhas segue, suspensa em uma de suas paredes laterais. A cobertura, de telhas de amianto, forma um telhado desigual e exógeno, apresentando rachaduras e as paredes, mal chapiscadas, escondem a boa alvenaria de tijolos, revelada na cimalha  escalonada que coroa as paredes. Percebe-se que, tanto o cemitério quanto a capela sofreram ao longo do tempo muitas intervenções, chamadas de reformas.
A porta única foi substituída por uma porta de ferro e vidro, por certo por sua maior resistência ao tempo. Apesar de mais resistente e barata, nada tem a ver com o conjunto. O calçamento em redor foi removido, de forma que o mato invade a base cavoucada das paredes. O frontão revela alteração com retirada da platibanda e perpasse do telhado de amianto, tirando da capela as características comuns de um templo católico, já que atualmente não dispõe nem de uma cruz que o assinale. Pelos vidros da porta olhamos o interior! O altar, único, revela alterações, já que é executado em alvenaria argamassada. Nada tem de artístico e original, a não ser a imagem do Padroeiro, de uns 40 cm de altura creio e outras imagens devocionais, a maioria  desbotada e apresentando partes quebradas. Da capela original, ou pelo menos anterior à atual, localizei dois restos de peanhas nas paredes laterais, possivelmente partes do antigo altar em madeira. O piso também sofreu alterações, bem visíveis. Nas paredes laterais há dois óculos em forma de cruz de cada lado, possivelmente para ventilação. Num desses óculos a tal colméia se instalou, na parede que dá pro lado do rio.

O cemitério, situado atrás da capela, também traz as marcas do abandono. Cheio de dracenas altas e antigas, já não apresenta os tradicionais amontoamentos das covas. A erosão provocada pelo tempo e pelas capinas acabou por rebaixar e nivelar o solo, expondo em vários lugares as pedras do alicerce dos muros, que apresentam, por isso, várias fissuras, desalinhamentos e desnivelamentos, denunciando o movimento da estrutura de alvenaria.

O cruzeiro caiu e só identificamos seu possível pé, por conta dos restos de imagens e borras de velas amontoadas no que era sua base, ao fundo do cemitério. O portão apresenta também partes deterioradas e muito ferrugem, resultado da exposição às intempéries e à falta de manutenção periódica. Curiosamente, é o primeiro portão de cemitério que vejo na vida de uma só bandeira o que pra mim atesta outra alteração. Intrigado com o fato da capela estar virada para o "nada", de costas para a estrada, indaguei a moradores locais a respeito do fato. Fui então informado de que a antiga ponte ficava situada bem abaixo da atual, onde hoje existem umas moitas de bambu,  e que o rio corria em um leito bem diverso do atual, ou seja, a estrada antigamente passava defronte à atual capela. Por moradores locais também fui informado de que as terras ao lado da capela pertencem ao senhor Joaquim Campos Pereira, proprietário também da Fazenda Pão de Angu, tendo-a comprada do senhor Manoel Teixeira Lopes, que teria dado ordem a um tratorista para demolir a capela e o cemitério. O tratorista, não se sabe se por medo, zelo, ou cuidado, desligou o trator desceu e deu a chave ao então dono dizendo-lhe que "isso eu não faço...suba e faça o senhor mesmo". Diante da negativa deste, o tratorista seguiu a arar terra pra outro lado, e a centenária capela e seu cemitério foram poupados.



 Outra ameaça que se faz constante ao conjunto é a erosão marginal do Rio do Peixe. Por ocasião da demolição da plataforma da estação, foram os restos jogados na margem do rio, provocando um alinhamento da força das águas em direção ao outro lado da margem, onde está a capela, provocando sua erosão. Há poucos anos, a ponte apresentou problemas estruturais graves, ocasionados pela retirada indiscriminada de areia do leito. Foi então demolida em parte e refeita. Os moradores pediram então que os entulhos fossem jogados na margem onde está a capela, como forma de conter o avanço da correnteza. Tal pedido não foi atendido, mas as preces do povo sim. O rio alargou defronte à ponte, diminuindo a força da correnteza, agora mais direcionadas pro meio do leito do rio. As margens desde então se estabilizaram e a vegetação se recompõe naturalmente.


Na foto da ponte vista de perto da capela, os entulhos sob o tabuleiro, responsáveis pelo estreitamento do leito e direcionamento das águas à margem esquerda, persistem.

Apesar de supostamente abandonada, a capela de São Joaquim dispõe de zelador, um senhor que faz o que pode em sua defesa. Herdou de seu pai a guarda da capela e de certa forma é o único a se preocupar com sua existência, já que nem a Arquidiocese, a Paróquia e a Prefeitura zelam pelo conjunto. Esse encargo hereditário faz com que aja até com certo extremismo, negando-se a abrir a igreja e tratando os curiosos com desconfiança. Ato completamente compreensível de quem com as chaves deve ter herdado a tristeza, o sofrimento e  a dor de ver o solo onde foram batizados, casados  e sepultados seu pai, mãe, avós, bisavós e tetravós a ponto de virar entulho e ser empurrado pra dentro do rio.












sábado, 19 de outubro de 2013

Um cascavel no Exército, o visconde e o artista...



Minha primeira experiência fora de Lima Duarte foi passada  um ano e dezenove dias em Juiz de Fora! Jovem, 18 anos, apresentei-me ao Serviço Militar e fui selecionado, indo servir no Décimo Sétimo Batalhão Logístico, com quartéis no Bairro Fábrica e ao lado do Museu, no Mariano Procópio. Um belo prédio antigo, comprido e alto, assoalhado e com muitas janelas seria minha casa, "laranjeiro", como tantos outros que de fora de Juiz de Fora vieram...
Conversa vai, conversa vem, vamos aos poucos descobrindo as origens dos desconhecidos membros da companhia , que sairá dali grupo de amigos: Rio Pomba,(gêneros em desalinho) Divino (que se falasse "de Carangola", dava briga), Leopoldina, Muriaé, Matias Barbosa (quase sempre só "Matias"), Tombos, Tabuleiro(que não podia  nunca ser "do Pomba"), Bicas(na verdade São Manoel)... Fora os procedentes de bairros e distritos de Juiz de Fora, muitos...

_ Mas e tu? De onde é? pergunta um vizinho, carioca do brejo...
_ Sou de Lima Duarte, respondo.
_ Ah, é cascavel! kkkk ..... E o apelido já pega...
_ Lima Duarte? Onde fica? _ retruca outro.
_ Perto daqui, pro Sul de Minas, respondo....
_ Ah, aquele artista da Globo, né, eu sei, arrisca outro.
_ Mas por que cascavel?
_ O Lima Duarte nasceu lá?...

Nessas perguntas muito de nossa identidade, mais ainda de nossa História...

Desde criança ouvia casos de onças, assombrações e cobras! As cobras, eram tantas que apareciam em todos os lugares, dormindo no meio das lenhas, dentro do quentinho dos fornos, saindo dos cupins ou dos buracos de tatu. Eram ditas como traiçoeiras, perigosas, por isso deveriam ser mortas. Morrer "ofendido de cobra" era coisa comum por aqui, fosse cascavel, jararaca ou urutu... Muitos ganharam o apelido de Cascavéis por sua qualidades parecidas com a do réptil...
A fartura de cobra era tanta que virou artigo de exportação: de trem, seguia de Lima Duarte para o Instituto Butantã um vagão cheio de caixas de cobras, sempre na rabeira, caso descarrilasse...
E dizem que um descarrilou, enchendo de lima duartinos(ops, cascavéis) o terreno perto de Igrejinha...
Assim mais a fama aumentou, a ponto de cascavel ficar sinônimo de lima duartino.

A "Terra do Cascavel" nasceu Dores do Rio do Peixe, sendo parte da Comarca do Rio das Mortes (atual São João Del Rei, que em 1791 foi dividida, ficando o nosso território  pertencendo à Vila de Barbacena. O Dores é uma referencia à Padroeira Nossa Senhora das Dores, e o Rio do Peixe, ao principal curso d'água da região, vertendo águas para a  Bacia do Paraíba do Sul. Em 1839, o arraial virou vila sede de Distrito, passo importante para emancipar-se anos mais tarde. Em 03 de Outubro de 1881, após muita relutância de políticos de Barbacena, finalmente emancipa-se, tornando-se o Município de Rio do Peixe. Até aí, nada de Lima Duarte!!

A Lei rezava que cabia ao Presidente da Câmara do Município de origem (Barbacena) proceder a escolha dos vereadores do novo município, dar-lhes posse e instalar a nova câmara municipal. Para isso, colocava como condições a existência de um prédio decente para a Câmara e Cadeia e outro para uma escola pública de Primeiras Letras, exigênciasprontamente atendidas.A última das exigências a ser cumprida foi a eleição dos sete primeiros vereadores do município do Rio do Peixe, ocorrida em 7 de setembro de 1884, dois anos, onze meses e quatro dias dias depois da criação do município por lei e ainda assim, com muita pressão dos líderes rio peixenses sobre a Presidência da Assembléia Provincial em Ouro Preto. Faltava apenas a instalação do município. Apesar de satisfeitas as exigências legais, Barbacena retardou ao máximo a instalação do município. Era Presidente da Câmara de Barbacena o sr. Antônio Carlos Ribeiro de Andrada III ou "O senador", casado com Dona Maria Adelaide Feliciana de Lima Duarte, irmã do Barão e depois Visconde de Lima Duarte.

Barão e Visconde de Lima Duarte, era o título dado por Dom Pedro II ao médico e político brasileiro José Rodrigues de Lima Duarte, nascido em 1826 em Barbacena e falecido aos 03 de dezembro de 1896 no Rio de Janeiro. Era filho de Feliciano Coelho Duarte Badaró e de Constança Emídia Duarte Lima. Formou-se em Medicina em 1849, clinicando por muitos anos em Barbacena.  Como médico tornou-se exemplo de caridade, dedicação e abnegação, fazendo da profissão um verdadeiro sacerdócio.
Dr. José Rodrigues de Lima Duarte
Líder do Partido Liberal em Minas Gerais, era considerado um homem de coração generoso e bondoso, muito popular e querido pelos correligionários e respeitado pelos adversários filiados ao Partido Conservador. Dotado de extrema simplicidade era celebrado como homem simples, afável, consagrado às causa do povo, sempre celebrado por seu caráter reto e humano.
Entrou para a atividade política em 1854, sendo sucessivamente  Deputado Provincial e Deputado Geral Presidiu a Câmara Municipal de Barbacena de 1861 a 1881 e foi Presidente da Câmara dos Deputados de 1882 a 1884, além de Senador do Império de 1884 a 1889. De 1880 a 1882, foi Ministro da Marinha do Brasil. Por ser mineiro e nunca ter servido à Armada, era chamado de "Ministro da Marinha do Mar de Espanha".
Emancipado o Municío do Rio do Peixe aguardava sua instalação desde 1881.Sem explicações para tanto atraso, em 30 de outubro de 1884, vota-se a lei que simplesmente concedia a vila do Rio do Peixe o título de cidade, mudando seu nome para Cidade de Lima Duarte. Sessenta dias depois, em 29 de dezembro de 1884, o senhor Andrada vem à Lima Duarte, e instala o município e dá posse aos vereadores eleitos. Uma simples mudança de nome , remove todas as resistências barbacenenses e tira um atraso de três anos e dois meses no nosso processo de emancipação de Barbacena, dando ao reduto de conservadores um nome liberal...

Dezenas e dezenas de anos mais tarde, Ariclenes Martins,  um jovem ator em começo de carreira, ouve de produtores que seu nome não é apropriado para um artista. Em conversa com sua mãe, que tinha orientação espírita, essa sugere-lhe o nome do Dr. Lima Duarte, seu espírito guia de luz, para seu nome artístico..

Assim nasceram os "Cascavéis", a "Lima Duarte" e o "Lima Duarte"! Nessa ordem...














sábado, 5 de janeiro de 2013

Origens do Manejo

ERGOTOPÔNIMO (nome surgido de atividades ligadas ao trabalho humano)

Igreja N.S. Aparecida em Manejo.
A região conhecida hoje como Manejo, fica situada em extensa várzea, formada depois que o Rio do Peixe se livra da estreita formação rochosa que atravessa entre os Bairros Beira Rio e Matadouro, e após receber pela margem esquerda as águas de seu principal afluente, o Rio do Salto, que nasce nos contrafortes da Serra de Ibitipoca, cortando o Parque Estadual de Ibitipoca no sentido norte - sul.
Essa grande baixada, começa acima da localidade de Ponte Nova, onde a estreitura permitiu a construção de sólida ponte e se prolonga até próximo de Orvalho, onde de novo se estreita como no local onde a E.F.C.B. fincou sua Ponte sobre o Rio do Peixe e abriu seu túnel, alargando-se logo abaixo, na barra do Ribeirão Grão Mogol, próximo à Valadares, estreitando-se rio abaixo ao cortar a Serra de Lima Duarte em seu ponto mais a oeste, abaixo da ponte da BR 267 sobre o Rio do Peixe.

Essa região, plana e úmida, ideal para cultivo de cereais, foi repartida oficialmente em 1781 em ato do Governador e Capitão General de Minas Gerais, Dom Rodrigo José de Menezes, com a egalização dos vários posseiros, entre eles João Gonçalves Bahia(possível origem da localidade do mesmo nome), José Delgado Motta(esposo de Inácia Maria D'Assunção Delgado e pai de Francisco Delgado Neto), João Antônio de Paiva,Domingos Fartes de Almeida, e Manoel Antonio de Almeida Ramos, dentre outros.

Manoel Antonio de Almeida Ramos, era filho de João de Almeida Ramos, e neto de Antonio de Almeida Ramos português de nascimento radicado em Barbacena. Tinha a patente de Alferes,sendo em 1791 aquinhoado com a de Tenente, era proprietário de várias fazendas e nelas exercia as atividades comuns àquela época,como mineração e criação de escravos. De Barbacena veio para o Sertão do Rio do Peixe, onde, à margem esquerda deste fez construir uma sede de fazenda,dedicada à lavoura.

Essa fazendas eram conhecidas como "de manejo", do verbo manejar. O termo servia para diferenciar os escravos que se dedicavam à lavoura e criação dos demais escravos empregados na mineração,sendo aplicado genericamente também às fazendas que se ocupavam de lavoura. Dessa forma passou a designar a fazenda, situada na margem esquerda do Rio do Peixe, defronte à hoje localidade de Manejo.

O Tenente  Manoel Antonio de Almeida Ramos foi sucedido na direção da propriedade por seu filho João Evangelista de Almeida Ramos, mais conhecido como Barão de Santa Bárbara.
João Evangelista, radicou-se posteriormente em Santa Bárbara do Monte Verde, passando propriedade a seu filho Alferes João Batista de Almeida Ramos, que morrendo prematuramente, deixaria a propriedade a seus filhos ainda menores (um deles Raimundo Guimarães), fazendo com que a Fazenda fosse conhecida mais tarde como Fazenda dos Òrfãos.

A propriedade foi posteriormente vendida ao Capitão João de Deus Duque Neto, Francisco Delgado Duque e herdeiros.Um início de povoação parece ter tido vulto na margem esquerda do Rio do Peixe, onde, numa encosta, se construiu uma capela dedicada a São Joaquim e em seu entorno, um cemitério, talvez no fim do século XIX, haja visto que em 1930 aí se realizavam festas, como relatado nos jornais da época! Essa capela indica que a Várzea dos Almeidas era bem povoada.

Com a abertura do ramal ferroviário da Estrada de Ferro Central do Brasil, em vista da localidade oferecer ligação com Boa Vista (atual Pedro Teixeira) e Quilombo, atual (Bias Fortes), além de ser ponto de ligação com o sul (Santa Bárbara do Monte Verde e Rio Preto) decidiu-se ali construir uma estação, para carga e descarga de mercadorias e passageiros.

Essa estação da Estrada de Ferro Central do Brasil, inaugurada em1926, possibilitou a formação em seu entorno de um povoado, que tomou o nome da Fazenda em que se situava, a Fazenda do Manejo.. A partir daí, a estrada de ferro passa a ser a referência e o nome Várzea dos Almeida cai no esquecimento. Mais tarde, sobre uma colina singular, situada no meio da Várzea, e próxima à estação, ergue-se uma capela dedicada à Nossa Senhora Aparecida, hoje templo principal do povoado!

Visita do ator Lima Duarte em 02-11-1976. Ainda se vê a antiga estação da EFCB.
Manejo situa-se à margem direita do Rio do Peixe, a nove quilômetros de Lima Duarte e a sete de Orvalho, pela BR 267.

A referência à Manejo da presença de inconfidentes em fazenda situada na região não tem base histórica, e se o tivesse teria sido alvo de denuncia por parte de José Ignácio de Siqueira, personagem que entrou para a História ao denunciar o Coronel José Aires Gomes e morador de Ibitipoca. Esse vivia de ensinar meninos a ler e percorria na intimidade as fazendas da região. Se houvesse inconfidentes ou colaboradores ou simpatizantes destes na região da Várzea dos Almeida, teria-os denunciado!

A outra referência diz respeito a acampamento de tropas comandadas pelo Duque de Caxias em 1842, no local! Também carece de base histórica! As tropas de Caxias, segundo roteiro documentado e publicado vieram de rio Preto pela Serra Negra, acamparam próximo ao Cemitério de Olaria e daí seguiram para a Vila do Rio do Peixe, acampando no Ribeirão de Santana. Não se tem notícia de acampamento na região hoje conhecida como Manejo, ainda que por aí, logicamente tenha que ter passado, pois era caminho.

As fotos foram compartilhadas de Raimundo P. Netto e Ronisch Baumgratz

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Sinais do passado III

As letras na pedra em Perobas

Em postagem anterior,no dia 12 de Março de 2012, relatei alguns sinais do passado na Localidade de Perobas, entra eles a inscrição em rocha "Viva o Dr. V.A.F - 19-3-1939. Intrigado com essa inscrição, desde que a vi pela primeira vez, pus-me a pesquisar sem sucesso seu significado.Em vão fui em busca de informações que me fizessem ou ajudasse a desvendá-la.Foi com alegria que descobri o Blog http://perobaslimaduarte.blogspot.com.br/


Nele o dono do Blog, descrevia a imagem da inscrição na rocha e informava que segundo seu pai a inscrição se referia a um tal "Dr. Vasco", que teria sido o engenheiro responsável pelas obras da rodovia Lima Duarte a Bom Jardim, inciada em 1939.


Com a descoberta do nome correspondente a V(Vasco) ficou mais fácil a pesquisa.


Vasco de Azevedo Filho, nasceu em Pitangui – MG em 18/12/1892, filho de Vasco de Azevedo e de dona Autora Xavier de Azevedo, sendo irmão de Silviano Azevedo e Aurora Azevedo.
Formou-se Bacharel em Engenharia Eletricista e de Obras Públicas pelo Instituto Politécnico, Juiz de Fora, MG, 1911.
Exerceu muitas funções, sendo Engenheiro do Ministério de Aviação e Obras Públicas, diretor da Estrada de Ferro Bahia Minas, 1930 em Teófilo Otoni; chefe do 7º distrito do Departamento Nacional de Estradas e Rodovias, DNER nos Estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Goiás, 1950; membro do Clube de Engenharia;


Na política foi deputado federal, 1951-1955; suplente, 1955-1958, assumiu em 1955; reelegeu-se deputado federal em 1959-1963, 1967-1971. Pelos serviços que prestou foi condecorado como Cidadão das cidades baianas de Jequié, Maraú, Ubaitaba e SEABRA,além de Cidadão Baiano em 1972. Recebeu também a  Medalha de Pacificador de Caxias, Mérito Santos Dumont e Medalha de Koeler e o título de cidadão Petropolitano.
Publicou Ligação de Brasília com o Mar e o Plano Nacional de Viação.
Foi na Câmara Federal Presidente da Comissão de Transportes, Comunicações e Obras Públicas.
 

Mais um mistério desvendado

terça-feira, 19 de junho de 2012

Resquícios Templários em Lima Duarte



Dom Diniz
Por curiosidade e influência de Marco Antonio Gomes, o Marco do Nilo, da veneranda cidade de Piranga, a primeira de Minas Gerais, comecei a me interessar por temas relacionados ao Cavaleiros Templários, e seus  herdeiros em terras brasileiras.
Conhecidos pelo grande poder político e financeiro que obtiveram, os Templários tornaram-se alvo de inveja, oposição e mais tarde perseguições e execuções de seus líderes.
A própria Igreja Católica, faria sua parte, extinguindo oficialmente a Ordem do Templo.

O fato é que o Rei de Portugal, Dom Diniz, decidiu "proteger" os interesses da Ordem do Templo em terras portuguesas, criando a Ordem de Cristo, que se tornou herdeira e guardiã da cultura templária. 
Símbolo da Ordem de Cristo
A Ordem de Cristo foi colocada sob proteção e guarda do Infante Dom Henrique (1394 - 1460).Além disso, um certo remanescente de propriedades e membros da Ordem do Templo passou à Ordem dos Hospitalários (mais tarde Ordem de Malta),que teve os poderes e regalias concedidos por Dom Diniz, confirmados por Dom João V em 1728.
Esses remanescentes trouxeram consigo o conhecimento dos Templários, que já conheciam a América pelo menos 100 anos antes de Cabral e mantinham rotas comerciais por meio de sua poderosa esquadra, misteriosamente desaparecida no Mediterrâneo.
Infante Dom Henrique o Navegador
Com a posse da terra brasileira por Pedro Àlvares Cabral em 1500, começaram as incursões pelo interior do Brasil, que terminaram, ao tempo do rei Dom Pedro II (de Portugal, com a descoberta de minas de ouro e diamantes.
A exploração teria se intensificado no início do reinado de Dom João V (1706 - 1750, época em que embarcaram para o Brasil,em 1740, três jovens da Freguesia do Espírito Santo do Landal, então Termo e Conselho de Óbidos, hoje Concelho de Caldas da Rainha:
Antonio de Almeida Ramos(nascido em 1722)filho de Teresa Maria e seus primos Agostinho de Almeida Ramos(nascido entre 1700 e 1730) e Francisco Farto de Almeida, filhos de Francisco Farto Maria Almeida. Ao que tudo indica, teriam sido enviados por religiosos ligados à Ordem de Malta,em busca de riqueza e fortuna certas sendo aqui acolhidos e orientados por patrícios ligados à mesma Ordem. 
Insígnia da Ordem de Malta
Não se tratava de aventura nem necessidade, já que os jovens eram pertencentes a famílias de posse, abastadas, ligadas à Ordem de Malta, que era riquíssima.Muito menos de crimes, que os obrigassem a fugir.
Ou seja, vinham com tudo organizado para progredirem enriquecerem em terras brasileiras, o que se verificou mais tarde, ainda que tivessem de compensar o sucesso com muito esforço, persistência e valor! Desses três jovens, um em especial nos interessa: Antonio de Almeida Ramos.

Antônio de Almeida Ramos radicou-se na região de Barbacena, donde veio a bater em terras vizinhas à Serra de Ibitipoca, na época no auge da mineração. Casou-se com Maria de Oliveira Pedrosa com quem teve vários filhos, um deles João de Almeida Ramos, batizado em Santa Rita do Ibitipoca aos 16 de abril de 1769. João de Almeida Ramos casou-se com Teresa Maria de Jesus, filha do açoriano Manoel José do Bem e Teresa Maria de Jesus. Com Teresa, João de Almeida Ramos foi pai de Francisco, Rita, Manoel Antonio de Almeida Ramos, João de Almeida Ramos Filho, Ana Bernardina de Almeida e Maria Teresa.

Manoel de Almeida Ramos "desceu a serra",indo habitar o Sertão do Rio do Peixe, fixando-se na margem esquerda do Rio do Peixe na atual localidade de Manejo. Ali viveu como posseiro até que ato do Capitão General Dom Rodrigo José de Meneses concedesse-lhe a posse da terra, em 1781. No Manejo, tinha em 1781 o título de Alferes e mais tarde Tenente(1791)Seu nome consta na lista de moradores que assinaram a petição de construção de uma estrada ligando o Rio Preto a São João Del Rei e em 1838 é relacionado como representante do Rio do Peixe no Corpo de Jurados da Vila de Barbacena
 Barão de Santa Bárbara
Manoel de Almeida Ramos entrou na história de Lima Duarte por vários motivos, mas o mais importante dele é o fato de ter sido pai do único limaduartino a ter um título de nobreza no Império.
Casado dom Joana Teresa do Espírito Santo, foi pai de João Evangelista de Almeida Ramos, o Barão de Santa Bárbara, que é assim, bisneto de Antonio de Almeida Ramos, o jovem português ligado à Ordem de Malta, herdeira da cultura templária em Portugal, que veio ao Brasil em 1740.

A família Almeida Ramos é o resquício templário na historia de Lima Duarte.







.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

YMAH THERES

A cada dia, tenho muitas surpresas. Lima duartinos e lima duartinas que saem pelo mundo,espalhando seus talentos e sensibilidade, seu trabalho e suas idéias, Uma agradável surpresa foi conhecer Imah Theres, ter o prazer de abraçá-la e mirar seu sorriso.

Imaculada Therezinha Miranda Ribeiro, conhecida literariamente como Ymah Théres, nasceu em 28 de julho de 1939,em Lima Duarte- MG., e faleceu no dia 12 de setembro de 2008, aos 69 anos em Juiz de Fora, cidade para onde emigrou ainda criança, com seus pais.
Formou-se Bacharel em Jornalismo pela antiga Faculdade de Filosofia e Letras - Fafile (UFJF). Apesar do formação de jornalista entrou para a História como uma grande poetisa:era dona de uma poética rica e delicada.
Seu pai, leitor voraz e também poeta,muito influenciou sua escrita, e ela o dedicava muito amor e admiração.A poetisa tinha a saúde debilitada e sua produção poética fala de uma solidão sem limites.


Durante mais de 30 anos, colaborou como articulista em inúmeros periódicos mineiros.
Aos 24 anos, ingressou na Câmara Municipal de Juiz de Fora, onde, por 28 anos, serviu como chefe e, posteriormente, como Diretora da Seçâo de Expediente. Aposentou-se em 1991.

JORNAIS COM OS QUAIS A POETISA COLABOROU:
1. GAZETA COMERCIAL- Juiz de Fora, MG.
2. JORNAL RODA VIVA ( Órgão das ex-alunas do Colégio Stella Matutina)- Juiz de Fora, MG.
3. FOLHA DA MANTIQUEIRA Juiz de Fora, MG.
4. DIÁRIO MERCANTIL - Juiz de Fora, MG.
5. O IMPARCIAL de Rio Pomba, MG.
6. CORREIO DO SUL - Varginha, MG.
7. TRIBUNA DE MINAS - Juiz de Fora, MG.
8. JORNAL DO POVO - Lima Duarte, MG.
9. JORNAL O LUME - Juiz de Fora, MG.
10. JORNAL VIVA A VIDA( de Cida Rigotti)- Juiz de Fora, MG.
11. BOTIJA PARDA de Araguari, MG.
12. SUPLEMENTO LITERÁRIO DE MINAS GERAIS - Belo Horizonte, MG.
13. VOZ DE SÃO JOÃO DE São João Nepomuceno - MG.

Era membro titular e fundadora da Academia Juizforana de Letras (1982). Teve seu talento reconhecido por meio de inúmeras premiações e menções honrosas recebidas em concursos literários.

SEUS LIVROS:

1973 - ELEGIAS. Juiz de Fora: Esdeva. (poemas)
1985 - ESCRÍNIO/ ASA DE BORBOLETA). Juiz de Fora: Cave. ( poemas em parceria com seu pai, poeta João Ribeiro de Oliveira
1986 - MUSGOS E GERÂNIOS Juiz de Fora: Esdeva. ( poemas em prosa e verso):
1987 - BIGODINHO, O GATO ENJEITADO. Juiz de Fora: Cave. ( infantil).
1988 - CANÇÔES DE CONVÉS OU DO AMOR PRESSAGO. Juiz de Fora: Gráfica e papelaria Gonçalves. (poemas).
1989 - HAICAIS. Juiz de Fora: Gráfica e Editora FORMIGA MARIA..
1991 - NA CONCHA DO OUVIDO. Juiz de Fora: Zas Gráfica e Editora. (prosa poética)
1992 - DIÁRIO ESPARSO DE MARIANA. Juiz de Fora: Zas Gráfica e Editora. (prosa Poética).
1992 - SOLO DE FLAUTA DOCE. Juiz de Fora: Edições de Minas. (poemas).
1992 - ACERVO DE CRISTAIS. Juiz de Fora: Edições de Minas. (contos e outros textos).
1992 - TREZE CARTAS DOS VENTOS DE AGOSTO). Juiz de Fora: Edições de Minas. (prosa poética).
- Dos arquivos do anjo dromedário.
1993 - ANJO, ALAÚDE ; PAIXÕES. Juiz de Fora:Edições de Minas .
1994 - FLOR e CIPRESTE: JOâO RIBEIRO DE OLIVEIRA. Juiz de Fora: Edições de Minas (Publicação / Póstuma de poemas do Pai da autora).
1994 - MENINA COM FLOR. Juiz de Fora: Edições de Minas. (poemas).
1998 - RAMILHETE E ALECRIM. Juiz de Fora. (editoração eletrônica: William F. Ruheno).
1999 - FLOR DE OUTONO. Juiz de Fora
2003 - ANELO DE LUA NOVA . Juiz de Fora: Funalfa.

A Associação Caminho da Serra, na Beira Rio, em Lima Duarte é a guardiã de pertences e objetos pessoais de Imah Théres, doados após seus felecimento em 2009, por sue primo - irmão Alexandre de Miranda Delgado. Uma sala chamada Sala da Poesia, foi construída para resguardar esse acervo, aberta à visitação. Lá estão sua rica bilioteca(prova de sua erudição e bom gosto literário, suas fotografias e quadros pintados por amigos artistas. Um local para se reverenciar e louvar sua memória a poesia!


Segue um de seus poemas, de que muito gosto...

ENIGMA


Desarmado, o coraçãoo
reborda a orla do poço
que segue além do limite
do alcance amorfo da mão.
e as coisas vãs se transformam
se transmigram se mitigam
no consumido silêncio
que redime esse sol-posto
das ventanias possessas.
é o amor devagarinho
formando o ocaso do enredo
que folgou de brisa e invento
no eterno e puro brinquedo.
e os anjos, com seus arminhos
de alaúdes afagados,
sorriem, leves, sorriem
mas fogem com suas asas
pra longe, prum outro lado
sem flor ou cor, sem perfume
de gerânio macerado
no inenarrável segredo
vencido, desvencilhado.

Ymah Théres
Juiz de Fora, 24 . 03. 99