terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Represa do Pau do Oco

Placa alusiva à inauguração
Uma das condições para a sobrevivência de uma cidade é o seu abastecimento de água. Dessa forma a questão das águas é sempre uma preocupação para autoridades. Em Lima Duarte, a primeira adutora de água foi localizada na Fazenda do Tenente Coronel João de Deus Duque (hoje Recanto dos Duque), que por sua localização e pouco volume, logo se tornou insuficiente. Logo depois é captado o manancial de Carlos Moreira (pai de Análio Moreira), o qual serve a cidade por muitos anos com sucesso. Com o crescimento da cidade, torna-se necessário captar outras nascentes, sendo assim feito no Matadouro e na Beira Rio. Porém a demanda cada vez maior fez surgir a necessidade de uma nova adutora. A solução foi captar água no Córrego Bom Retiro, acima do Bairro Afonso Pena. Em 04 de Novembro de 1972, o prefeito Antonio Marciano de Paula Filho inaugurava a nova adutora de Lima Duarte, situada acima do Bairro Afonso Pena
O vertedouro da Barragem
e a casa do Tomador de Conta

 Alí, por meio de tubulação de amianto, a mais moderna para a época, a água era levada até a estação de Tratamento de Água na Vila Belmira, onde era submetida a decantação e passagem por filtro de areia, suficientes para purificar a água nas condições exigidas para a época. Da Vila Belmira era conduzida até a caixa d'água do Alto da Matriz, onde era distribuída por gravidade a toda a cidade. Paralelamente, a prefeitura iniciou a abertura de poços artesianos, um na Barreira, e frente à Escola Pedro Paz, e outro na esquina da Santa Casa (Prezinho). Mais tarde seria construída a Adutora da Cachoeira do Sossego e a da Samambaia, assuntos para outras páginas. Com a adição de novos mananciais a represa do Pau do Oco seria abandonada posteriormente e seu lago assoreado e 
Vista lateral da Barragem
tomado pelo mato. Em seguida, seria construída a montante a Usina de Triagem e Compostagem de Lixo. O local é belo, e tem potencial para sediar um Parque público de lazer, inclusive com instalação de benfeitorias e arborização do entorno. Possui bela queda d'água e uma boa vista dos arredores, além de estar muito próximo da cidade. Sua implantação seria um termômetro vivo para mensurar os danos e resultados da Usina de Lixo, obra muito contestada por sua localização, sepultando várias nascentes...
Talvez seja por isso que ninguém cuida mais da represa... Que dizem, já foi muito bonita!!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Tombamento da Serra de Lima Duarte

 O que seria de Minas Gerais, sem as montanhas? O próprio mar, sem a moldura das montanhas nada mais é que um monte de água reunida, movendo-se sem graça... 
Lima Duarte não foge à essa regra: situada em terreno acidentado , a cidade espalha-se ao sopé da Serra do Rio do Peixe, depois batizada de Serra de Lima Duarte!! Um imenso paredão que se estende desde a Serra da Saudade, na divisa com Juiz de Fora ao Pão de Angú, na divisa com Olaria... 
Sempre visito a Serra de Lima Duarte! Aliás, mais que Ibitipoca. Acho-a mais nossa, menos cosmopolita!! A primeira vez que lá estive, foi em 1986, visitando as cercanias da antiga Torre Repetidora de Televisão, situada no trecho conhecido como Serra da Calçada. Voltei impressionado com a beleza do local e ciente da necessidade de preservá-lo. Retornei a Serra várias vezes.E assim fui fazendo descobertas: grutas, cachoeiras, orquídeas, bromélias, formações rochosas, trilhas antigas, araucárias.... Ah, as araucárias... Belas árvores altaneiras, tronco reto, áspero, galhos em alinho... 
Nossa serra tem ainda alguns grupos de araucárias, algumas bem idosas, como a da foto do pé de página, que tem 3m86cm de diâmetro...Apesar de raras e imunes de corte, essas árvores ainda são vítimas de agressões., que vão desde a ameça do fogo, pisoteio de animais, desgaste do solo, raios e corte. As da foto encontram-se num vale, abaixo do local onde ficava situada a torre de televisão. Um lugar muito belo, poético e tristemente agredido... Lembrei-me de uma estória que meu pai contava, a respeito dos pinheiros: Era costume herdado dos índios o plantio pelos antigos de araucárias, em vista do consumo dos pinhões e da madeira, leve, macia e durável... Por isso, era muito comum plantar-se carreiras de pinheiros pelas propriedades, formando belas aléias ou carreiras, como se diz em mineirês... No final do século XIX um surto de febre aftosa grassou pela região, dizimando todo o rebanho bovino. Os fazendeiros não tinham como sobreviver e a saída foi derrubar os velhos pinheiros, que forneceram madeira e garantiram a sobrevivência de muitas famílias. Porém, não se plantou mais pinheiros e o que se viu foi a quase extinção da espécie, sobrevivente apenas em áreas de difícil acesso, como nos grotões da serra.. Pra piorar, a pecuária expandiu-se ainda mais e os pinheiros foram derrubados por ferirem o gado.. Os que vemos por aí, são sobreviventes.. Belos sobreviventes, com a força dos que desafiam o tempo, as adversidades, os raios e os ventos contrários.

 Esse exemplar fotografado abaixo, é bem peculiar. Abre-se em dois a uns dois metros do solo, e forma a bela copa que está na foto de cima, vazada pelos raios do sol. É o mais idoso do grupo, com idade calculada em mais de 60 anos.Seu tronco foi calcinado pelo fogo criminoso que devastou a Serra de Lima Duarte por quase uma semana em 2007, e só foi detido quando se aproximou da cidade. Bem perto dali, na antiga torre, um novo inimigo avança sobre os velhos pinheiros: pequenas mudas de eucalipto, frágeis ameaças, anunciando o deserto verde que estão plantando do outro lado da serra.
Um imenso deserto verde erguido sobre frágeis bromèlias e orquídeas, plantado no solo quartizítico, ameaçando nascentes e roubando espaço de candeias. Bem debaixo do nosso nariz!!

domingo, 20 de novembro de 2011

O que você acha dessa Igreja?

Um dos temas mais polêmicos na história de Lima Duarte, diz respeito à Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, primeiro templo católico erguido no Sertão do Rio do Peixe, com suas origens remontando ao início do Século XIX. As críticas obviamente levam em questão a comparação entre o templo atual, fruto de reforma encerrada em 1966 e o templo anterior dizem, de rara beleza!! 
Para entender a evolução do templo e a influência da cultura e do contexto na arquitetura, consideremos:
A primitiva construção foi denominada de "ermida", termo utilizado para designar pequena igrejas ou capelas  normalmente situadas fora das povoações e em lugares ermos. No nosso caso num espigão situado ao pé da Serra do Rio do Peixe em terrenos doados por Dona Inácia da Assunção Delgado. Pelas poucas informações que restaram, percebe-se que era uma frágil capela de pau a pique e sapé, forma de construir mais empregada naquela época.
Com a povoação do entorno, gerando um arraial, surge a necessidade de se perenizar o templo. Amplia-se a ermida, que recebe estrutura em madeira e vedamento em taipa de pilão e adobe, e cobertura em telha curva. Pelos relatos orais, nesse época é entronizada a imagem de Nossa Senhora das Dores que vemos ainda hoje, além de novos paramentos e alfaias. Em 1831 a povoação é elevada à categoria de Vila, sendo denominada Dores do Rio do Peixe. Nessa época, começa a se realizar sepultamentos no adro, gerando um cemitério no em torno do templo, como ainda hoje existe na cidade de Bom Jardim de Minas. Em 1842, constrói-se a Casa do Vigário, onde hoje se situa o Centro Pastoral.
Em  1884, diante do visível progresso do local, no ano de  de instalação do município, concebe-se nova reforma. Para levá-la a termo, transfere-se o cemitério para um terreno acima, inaugurando-o em 21 de Janeiro de 1884. A velha igreja de taipa seria demolida, o terreno rebaixado e planado. Sobre essa esplanada ampla seria erguido um templo de tijolos aparentes, sob o comando do Mestre de Obras Jose Klotz, em estilo românico, bem comum na Alemanha, terra natal dos construtores. Pelo Padre Pedro Nogueira da Silva, seria inaugurado e bento em 20 de Junho de 1891, com assoalho em madeira de lei, telhas francesas e pinturas no teto.
Em 1939, outra reforma: troca-se o assoalho por pisos hidráulicos, abre-se galerias laterais à nave menor com altares no fundo. As paredes recebem pinturas e painéis. No telhado de telhas francesas pinta-se o nome Lima Duarte, facilitando a visibilidade do local pelos aeronautas aventureiros...
Em 1950, concebe-se nova reforma, concebida pelo Conêgo João Severo Ramos de Oliveira. A foto acima, estampada em um envelope para recolhimento de donativos, traz o projeto dessa nova matriz...Gostou dela?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A ponte dos Marmelos

Ponte sobre o Córrego dos Marmelos
 Ao paralisar as obras do Ramal Ferroviário em 1926, na estação de Lima Duarte, situada em amplo pátio no Bairro Barreira, a E.F.Central do Brasil instalou alí um pátio de manobras, que ocupava toda a área do hoje Parque de Exposições Helso Neves. O pátio era dotado de rede de captação de águas pluviais, caixa d'água para abastecimento da caldeira das máquinas a vapor, chaves de mudança de via para manobras, além de área para depósito de materiais de reposição como dormentes e trilhos. Do lado hoje margeado pela Rua Geraldo Ribeiro de Castro, plantou-se longa aléia de casuarinas, belas árvores que davam um ar europeu ao vasto pátio. Disso tudo restam ainda o canal de drenagem, soterrado sob o asfalto, embaixo dos banheiros perto do Palco de Shows e a Caixa d'Água, hoje equipada para aproveitamento na lavagem de veículos de uso da Prefeitura. As casuarinas, velhas e maltratadas, tombaram uma a uma..
O fato de ser a estação de Lima Duarte ponta de linha, fez com que se construísse um mecanismo que permitisse à locomotiva virar se sentido de tráfego, já que, invarialvelmente, o trem teria que retornar à Juiz de Fora.
Há duas formas possíveis de reversão: o giramundo ou gironda, onde a máquina é desengatada dos vagões e segue até uma plataforma circular, que é girada pela força humana ou mecanicamente, ou o triângulo de reversão, em que a máquina percorre sucessivamente cada lado do triângulo de frente, de ré e depois de  frente, invertendo o sentido.
A primeira forma é adotada em locais de reduzido espaço e menor movimento. Tem a vantagem de contar com menos chave de mudança de via.
Em Lima Duarte adotou-se a segunda forma: um curioso aterro em forma de triângulo, com vértices apontando o primeiro para a direção da estação, o segundo para o Rio do Peixe e o terceiro para o Bairro Cruzeiro, foi construído em plena várzea, no local hoje ocupado pela Estação de Tratamento de Águas e o Clube do Cavalo. Em cima dele, foram assentados os dormentes e trilhos e as respectivas chaves de mudança em cada vértice, em que se prolongava um trecho em reta, chamado rabicho. Assim, após o desembarque dos passageiros e cargas, a locomotiva desengatava-se do resto da composição e marchava em direção ao triângulo, passando sobre a Ponte do Córrego dos Marmelos. No triângulo, seguia pela primeira bifurcação à direita, indo de frente até o leito do Rio do Peixe. Lá em nova mudança de chave, seguia em marcha à ré pelo outro lado, indo até a entrada do Bairro Cruzeiro. De lá, por meio do acionamento de outra chave de mudança de sentido de via, seguia de frente de novo para a estação, onde por meio de outra chave, penetrava pelo desvio, passava defronte à estação e ia até próximo a hoje Quadra Poliesportiva. Lá parava, e de marcha à ré, de novo, entrava de novo na linha tronco e engatava os vagões deixados na plataforma pelo outro lado, ficando pronta para retornar à Juiz de Fora.
Essas manobras eram diárias e movimentavam o Pátio, por meio da ação dos manobristas, guardas Chave, manobristas, maquinistas. Era muito comum as crianças serem convidadas a embarcarem na máquina para acompanharem as manobras, ou fazê-lo às escondidas por sua própria conta e risco, aproveitando-se da pouca velocidade de tráfego, praxe em caso de manobras. 
Ao movimento das manobras unia-se o movimento das tropas de burro, dos carroceiros, dos carregadores, dos criados, dos animais. Tudo em torno do trem, naqueles anos, a única porta de saída para o mundo! De trem ia-se à capital de República. De trem chegavam os jornais, as máquinas, as novidades!!
De trem iam os doentes crônicos e isolados os tuberculosos e leprosos. Voltavam no carro fúnebre, todo preto, os mortos ilustres, cerimoniosamente recebidos na estação!! De trem chegavam o Bispo, o Governador, os Deputados, Senadores. A estação era a vida!! Como é triste vê-la só e abandonada!!
A foto acima retrata a Ponte sobre o Córrego dos Marmelos, um pouco do que resta na linha de reversão. Cheia de Mato, suja e escondida, revela ainda sua força, nas formas, nos sinais do tempo e no seu brilhante passado!! Fica na Rua Benvindo de Paula, após o Catú Mineiro, caminho de quem segue da Barreira para o Bairro Cruzeiro. Um dos rabichos do triângulo ainda resiste, sem trilhos, no fundo da sede do Clube do Cavalo!


sábado, 10 de setembro de 2011

O Ramal abandonado

Ala de Bueiro (Armazém) Vista de perto
 O Ramal da Estrada de Ferro Central do Brasil, construído a partir da estação ferroviária de Benfica(hoje bairro de Juiz de Fora), ligou durante 46 anos as cidades de Lima Duarte e Juiz de Fora. Seu objetivo inicial era interligar a Zona da Mata ao Sul de Minas. Naquela época, quem estivesse por exemplo em Juiz de Fora e desejasse ir à Caxambu ou São Lourenço, teria duas opções: Subir de trem até Barbacena, de lá pegar a Estrada de Ferro Oeste de Minas, que passava por São João Del Rei até Aureliano Mourão e de lá descer pela Rede Mineira de Viação até Caxambu e São Lourenço. Outra saída era descer pela Estrada de Ferro Central até Barra do Piray e de lá subir a serra, via Santa Rita de Jacutinga , Bom Jardim de Minas, pegando o Ramal de Soledade da Rede Mineira de Viação, que seguia no sentido da atual cidade de Liberdade. Pelos dois trajetos,usando os meio de transporte mais rápido (trem), era viagem para dia inteiro), o que hoje fazemos em duas horas, de carro.
Ala de Bueiro no local conhecido como Armazém
Dessa forma a idéia de interligar a Mata ao Sul pelo Vale do Rio do Peixe, foi assunto obrigatório nas rodas políticas e imprensa da época. Nesse intuito, foi atacado o primeiro trecho, entre Benfica e Lima Duarte, inaugurado oficialmente em 1º de Março de 1926. As obras no entanto, se prolongariam por pelo menos mais 4 anos, tendo gerado a partir da estação de Lima Duarte (Barreira) mais oito quilômetros  de leito. Desde pequeno, ouvi dizer dos mais velhos que a estrada de ferro em direção à Bom Jardim de Minas seguiu por local diverso do que hoje vemos (Bairro Cruzeiro, Poço da Pedra, Perobas...) E assim, confirmadas as "falas do povo", saí em busca das evidências materiais. As informações orais relatavam que a estrada, fugindo dos custos onerosos dos grande viadutos gerados sobre o Rio do Peixe, atravessaria para a margem esquerda deste seguindo em direção São José dos Lopes, de onde atingiria a região de Capoeira Grande. Nesse sentido, foram escavados cortes e executados aterros no  local conhecido como Ponte Funda, (Fazenda do Zezeca de Paiva (pai de Helton Paiva e Conceição Paiva (Santinha), situada do outro lado do Rio do Peixe, no fundo do Bairro Nova Era. Daí, o leito prosseguiu, passando por onde é a casa dos herdeiros do José Pracídio. Há aí, uma ala de bueiro feita em pedra argamassada, abaixo do atual curral). O leito segue passando onde foi edificada a casa, indo em direção a uma capineira e à Pedreira.
Na Pedreira, antigamente, o maciço rochoso descia até a margem do rio do Peixe, que passa ali, apertado. O corte em curva, dividiu a pedra em duas e prosseguiu, pelo pé do morro, gerando aterros e o corte, inacabado, que dava acesso à fazenda do Lãozinho. Para dar continuidade, foi necessário "retificar" o leito do rio, que passava bem em frente à atual fazenda, razão por que o local era conhecido como "Corta Rio". Mais adiante, ergueu-se com alvenaria de pedra duas cabeças de ponte, em frente à sede da fazenda. A partir desse ponto, até onde hoje está o Laticínio Serra Negra, gerou-se uma esplêndida reta, que segue, curva-se à direita, passa por outro corte e atinge a entrada da localidade conhecida como "Reserva". Curioso aí é observar um aterro inacabado no meio da várzea, que indica a continuidade do leito, que segue passando acima do hoje Campo do Santa Teresinha, Nego Nogueira, até o local conhecido pelos antigos como Armazém, onde as obras paralisaram, sendo retomadas anos depois, no sentido atual (Bairro Cruzeiro, Poço da Pedra, Perobas...)
Hoje o antigo leito é ocupado pela rodovia que liga Lima Duarte a Ibitipoca, aproveitando os esforços dos velhos ferroviários até adiante do campo do Santa Teresinha, pouco antes do José Borges, local antigamente conhecido como Armazém. O nome Armazém vem do fato de que ali funcionou durante os tempos da obra, o Armazém que abastecia de gêneros de primeira necessidade,os empregados da empreiteira das obras.
Cabeças de Ponte em frente à Fazenda do Lãozinho
Com os estudos para a pavimentação da estrada para Ibitipoca, muitos desses testemunhos deverão ser apagados ou visivelmente alterados. As fotografias aqui inseridas revelam restos das obras de drenagem ali executadas. Conheça-as, antes que acabem...
Com relação a esse trecho abandonado, permanecem dúvidas: onde a ferrovia atravessaria o rio? Na ponta do Triângulo de Reversão ou abaixo da Primeira Ponte? Quando as obras foram paralisadas? Qual o nome da Empreiteira? Perguntas a responder em outros tópicos!!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Uma Santa em minha vida...

Morei desde pequeno na rua Joaquim Otaviano(antiga General Setembrino de Carvalho), caminho de quem segue para São José dos Lopes, Mogol, Ibitipoca e adjacências. Como bons católicos, meus pais nos levavam todos os domingos à missa, celebrada na Igreja de Santa Teresinha. Vem daí a minha relação com essa santa e a igreja que leva seu nome. Passei nessa igreja boa parte de minha infancia e juventude, assumindo várias funções de caráter pastoral e administrativo, tornando-me assim, conhecedor e guardião de sua história.
A idéia de se construir uma igreja dedicada à Santa Teresinha em Lima Duarte surgiu por ocasião de sua canonização em 1925, por influência de um padre alemão que a conheceu em Roma e que foi vigário de Lima Duarte: Carlos Muller. A idéia tomou força mas o Bispo de Juiz de Fora negou a licença para construção enquanto não se conseguisse mais dois lotes para o patrimônio, julgados necessários para tal. Somente em 1951, conseguiu-se os dois lotes, doados por Dona Maria Tomé, que somados ao terreno já adquirido no chamado Pasto dos Alves, tornaram possível a liberação da licença. Iniciadas as obras em junho de 1951, seriam coroadas de êxito em 05 de Outubro de 1952, com a benção da Capela, sem forro e muro de arrimo A planta original, desenhada e doada pelo engenheiro da Estrada de Ferro Central do Brasil, Mário Lacerda Werneck, previa um prédio com formato em cruz, em estilo românico ogival, com torre central, coro e nave única. Por razões que ignoro(talvez economia), foi alterado e gerou o que ainda se vê hoje. Tive acesso a essa planta e pude conferir as alterações.O prédio, inclusive com seus arcos ogivais, é todo em alvenaria de tijolos sendo o madeiramento do telhado trazido da Serra do Gavião localidade situada entre Andorinhas e Mogol.Os alicerces são em pedra seca, costume da época. A torre teve seus alicerces construídos, mas não chegou a ser erguida, ficando por muitos anos o buraco no forro por onde passaria.No centro, foi erguido um altar onde se entronizou a imagem da santa francesa, com 1m20 de altura, ladeada por dois belos anjos tocheiros. Do lado direito de quem entra pela porta principal,  foi entronizada uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, com 1m00 de altura(doada por Jacintho Honório de Paula), e do lado esquerdo uma imagem do sagrado Coração de Jesus, também com 1m00, doada por Pedro Cândido Delgado.Em 1968 a igreja seria forrada e receberia o muro de arrimo que sustenta o adro. Seguindo a moda que se verificou em muitos lugares nessa época, má interpretação das idéias do Concílio Vaticano Segundo, a imagem da padoeira seria destituída de seu altar, levada para o lado direito de quem entra e substituída por uma imagm do Crucificado. Deram sumiço nos anjos tocheiros, na imagem do Sagrado Coração de Jesus e na de Nossa Senhora Aparecida. Em 1986, a igreja passa por reforma novamente, com a retirada do forro, nova pintura, construção de dois banheiros e fixação de gradio no adro. Em 2000, teve início outra reforma, que ampliou as capelas laterais, reintronizou no altar central a imagem da padroeira, acrescentou ao prédio uma abside, um trifório, elevou o presbitério e acrescentou duas salas de reuniões, dedicadas ao uso tanto da comunidade e do bairro, quanto para as pastorais. Mais tarde,em 2008 a igreja ganharia ao lado um salão de reuniões.As fotos que anexei registram o prédio em construção, e coisa rara, a equipe de operários que nele trabalhou. Reconheci apenas um deles: José Idalino do Nascimento, pai da professora Maria Rosa do Nascimento. A foto foi-me doada por Maria Celeste Guimarães, filha de Nelson Guimarães, Mestre de Obras que coordenou o trabalhos de construção.Pesquisarei para identificar os outros: Devo-lhes isso.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Barulho e a EFCB

O Barulho, antes uma localidade a poucos quilômetros do centro de Lima Duarte,(hoje promovido a bairro) foi, por muitos anos, a entrada da cidade para os que vinham no sentido do leste(Juiz de Fora, Manejo, Orvalho e adjacências. Entrou na história por ter tido um morador ilustre, Manoel Delgado da Silva, o Tineca França, uma espécie de Professor Pardal de Lima Duarte. Tineca instalou ali, em seu sítio do Barulho o pimeiro gerador elétrico de que se tem notícia, e cobrava ingressos para os que vinham de longe ver acesas as famosas lâmpadas elètricas. Por insistência do Vigário de Lima Durte na época, Padre João Batista da Silva e de Alfredo Catão, estendeu a linha até a Matriz, deixando um bico de luz bem no Largo, onde se fizeram dicursos inflamados pela importância da ocasião. Pelo Barulho passava também o ramal da EFCB, que deixou ali alguns sinais, como a Ponte sobre o Córrego Bom Retiro, em cujo pegão da margem direita vê-se restos da inscrição em ato relevo E.F.C.B., que pretendo restaurar. A dita ponte foi aproveitada pela Prefeitura, que fundiu vigas em concreto e cobriu tudo com uma laje, colocando além disso horríveis guarda corpos, que nada tem a ver com  arquitetura dos pegões. Fiquei impressionado com o acabamento dos pegões, principalmente pela precisão das quinas, verdadeirs obras de arte em pedra almofadada. Servem hoje de acesso ao Bairro Batatal. Para efeito de comparação, veja a ponte que dá acesso da estrada do Barulho ao Recanto Alegre, obra da Prefeitura, feia e torta. Adiante, na Cachoeira do Barulho, onde há um dique para moinho de água, vê-se também um muro de contenção, também construído pela Central para sustentar a saia do aterro, bela obra em pedra que o descaso vai ruindo, levado pelos entulhos que insistem em jogar ali. A cachoeira é muito bonita, mas paga o pato por estar num córrego que recolhe de graça para a Prefeitura, todo o esgoto do Centro da cidade...
Será que um dia voltará a ser limpo? Quem viver verá...
Mesmo poluído, o local é belo e poderia ser urbanizado,com arborização e trilhas de acesso.

domingo, 17 de julho de 2011

A CAIXA IMPORTADA

Sempre que vou à Lima Duarte, revejo velhos amigos. Com eles converso e coloco assuntos em dia, descubro coisas novas, principalmente as relacionadas à historia de Lima Duarte. Assim foi com Zezinho, morador da Rua Leão XII (Beco da Cooperativa), velho companheiro do Partido dos Trabalhadores, em que fui filiado e até candidato a vereador com votação medíocre. Zezinho, cujo nome é José Antonio da Silva, é filho de ferroviário e mais conhecido como Zezinho da Capoeira, sempre me conta novas estórias, tem sempre novas informações, já que está sempre pedalando pela terrinha. Por ele fiquei sabendo de uma caixa de água que teria vindo pelo trem para Lima Duarte, e o mais curioso, a tal caixa tinha escrito em uma de suas faces o nome Diocleciano Vasconcelos, nome oficial da estação que o povo batizou carinhosamente de Paradinha...Bem,o curioso é que essa inscrição tem pelo menos 37anos, já que o último trem saiu de Lima Duarte em 1972. Lá vamos nós em busca da tal caixa. Fotografei-a para que se registre os fatos. Estranha ter se conservado ao sol e chuva. A tal caixa, de cimento amianto, hoje obsoleta por conta da má fama de cancerígena, aposentou as velhas caixas de água de cimento que eram fundidas por aqui mesmo, muito pesadas e de difícil manuseio, e o mais curioso, sem emenda e emprego de ferragem.Ela testemunha a importância do trem como meio de transporte na epoca e pela inscrição, é peça de museu, pois é mercadoria transportada pelo trem, como atesta o destino de entrega, grafado em azul. É o passado, que insiste em vir à tona. Nesse mesmo dia fomos eu e Zezinho ver um muro de arrimo da EFCB na cachoeira do Barulho e a Ponte do Recanto Alegre. Posto fotos e conto depois.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

CAMINHOS ANTIGOS 2

Por falar em caminhos antigos,vale lembrar que a Rua Antonio Carlos é o primeiro deles. Como se sabe, a origem do Povoado do Rio do Peixe, que depois chamar-se-ia Lima Duarte, teve inicio na construção de uma capela dedicada a Nossa Senhra das Dores, erguida no início do século XIX, em terreno que fazia parte da Fazenda do Engenho, pertencente a Dona Inácia da Assunção Delgado, viúva de José Delgado Motta,  Cabo de Esquadra da Vila de Conceição de Ibitipoca. A Fazenda do Engenho ficava situada perto do Rio do Peixe,além da localidade hoje denominada Ponte Nova, hoje habitada pelo senhor Sílvio Delgado. Dela hoje restam apenas ruínas dos alicerces. Alí nasceu o tronco da família Delgado em Lima Duarte, dentre eles Francisco Delgado Mota, que junto com João de Deus Duque são considerados os principais fundadores da Municipalidade. O caminho da Fazenda à ermida de Nossa Senhora das Dores é a atual Rua Antonio Carlos, dantes chamada Rua XV de Novembro, mais conhecida por ser nela que fica o Calçadão de Lima Duarte. Dali a trilha se ramificava em direção ao que hoje chamamos de Barreira e para o lado da Fazenda dos Duque, onde morava o Comendador João de Deus Duque, ainda hoje existente e situada atrás da Delegacia de Polícia Civil de Lima Duarte. Daí a trilha subia em demanda da Serra do Rio do Peixe(ou de Lima Duarte) atingindo São Sebastião do Monte Verde, Santa Bárbara do Monte Verde, Rio Preto, Valença...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

CAMINHOS ANTIGOS...


Sempre me interessei pelo traçado dos antigos caminhos. Toda vez que posso saio a percorrê-los, a pé, a melhor forma de poder conhecê-los e entendê-los. Sim, entendê-los, pois na maioria dos casos os caminhos que hoje usamos não tem nada a ver com os caminhos antigos. Quem hoje vem de Juiz de Fora para Lima Duarte, passa pelo Bairro Piúna ou Patrimônio, na maioria das vezes e nem imagina que a antiga estrada chegava pelo Barulho, seguia pela hoje Rua Sete de Setembro, passava pela Paradinha, passava em frente à Jong para só depois tomar a rua que dá no centro, hoje chamada Antonio Carlos e antigamente denominada Rua XV de Novembro.Mas pergunta-se: por que tantas voltas. Primeiro havia o brejo e seus atoleiros, num tempo em que o Córrego do Bom Retiro tinha água e lambari...Depois a estrada de ferro esgotou o brejo, aterrou a várzea e permitiu a passagem dos trilhos.Esse foi o caminho de quem chegava a Lima Duarte de carro, a cavalo ou de carro de boi até a inauguração da BR 267 em 1973.Uma pequena alteração ocorreu nos anos 1950, quando abriu-se uma rua onde hoje fica a Cooperativa, encurtando o trajeto e eliminando a subida da ladeira em frente à Jong. O caminho que hoje conhecemos surgiu depois que a BR 267cortou e interligou o que hoje chamamos de Tês Porteiras, Piúna e Afonso Pena (Pau doOco), um pouco depois da extinção do ramal  da Estrada de Ferro Central do Brasil. A foto antiga, extraída do site www.estações ferroviárias.com.br, mostra Lima Duarte por volta de 1950.Dá pra ver a antiga linha de trem e a entrada de que falei, passando em frente à estação no canto superior direito.

O PONTILHÃO E SUAS COLUNAS

Desde que nasci,em 1970, moro na Beira Rio, hoje mais conhecido como Caminho da Serra, antiga Rua General Setembrino de Carvalho, que depois daquelas conhecidos projetos de lei de vereador puxa saco, acabou virando Rua Joaquim Otaviano.
Cresci pertinho da Estação, nossa imensa área de lazer, onde corríamos entre as ruínas do pátio ferroviário, pulando o canal de drenagem e pisando as britas remanescentes do lastro.
Com isso, o caminho para o Centro passava pelo Pontilhão, ou melhor, por baixo dele, bem em frente ao Albergue.
Nesse tempo, o Pontilhão era um imenso monstro de ferro, cor de zarção, escurecido pelo tempo, sua base em pedra cheia de tufos de capim gordura. Ao lado, a grande placa de ferro fundido onde havia a inscrição: "Ponte de Lima Duarte, com a extensão e a posição quilomètrica a partir da cidade do Rio de Janeiro. Passar sobre o  Pontilhão era prova de valor, um ritual de passagem: só os "homens conseguiam"... Ali acabava a Barreira e iniciava o Centro, por isso o local era limite de território de turmas, bem distante das gangues de hoje. Um bairrismo besta, que de tão inocente, dá até saudade... E tombaram o Pontilhão, com decreto e tudo. Mais tarde colocaram sobre ele uma laje de concreto e um guarda corpo franzino...
Ei-lo como está hoje. Note que a base de sustentação é toda de pedra, com colunas de concreto no apoio da estrutura. Essas colunas foram fundidas depois, já que a estrutura de ferro ficou curta e teve que ser feito um reforço para suportar o peso.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Um trem passou por aqui...

Lima Duarte virou gente grande com o trem. A alegre Maria Fumaça encurtou distâncias, trouxe sangue novo, arquitetuta nova. Um jeito novo de pensar, que libertou consciências e abriu possibilidades.
Até então, as viagens ao resto do mundo se demorava em atoleiros, dias passados sobre lombo de animais, cargas e gentes se equilibrando, outros se aventurando em Fordinhos resfolegantes oportunistas, ocupando as velhas trilhas abertas a pata de gado.
Para o leste, ia-se para Juiz de Fora, em demanda das feiras de gado de Benfica, ou até mesmo as distantes estações ferroviárias da EFCB de Ewbanck da Câmara e Santos Dumont. Para o sul, as tropas erravam pela serra do Rio do Peixe, em demanda do estado do Rio de Janeiro, tocando rumo à estação de Desengano(hoje Barão de Juparanã). Em demanda do campo, subia-se pelo velho caminho até Várzea do Brumado e daí à Ibitipoca, Santa Rita e Barbacena. Outros iam em demanda do Turvo, onde já apitava há muito as locomotivas da Estrada de Ferro Sapucay.
Eram esses os caminhos prováveis. Longas distância medidas em léguas e cumpridas em semanas e até meses.
Até a chegada do trem, que nos bons dias em três horas ligava a velha vila do Rio do Peixe ao mundo.