quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Barulho e a EFCB

O Barulho, antes uma localidade a poucos quilômetros do centro de Lima Duarte,(hoje promovido a bairro) foi, por muitos anos, a entrada da cidade para os que vinham no sentido do leste(Juiz de Fora, Manejo, Orvalho e adjacências. Entrou na história por ter tido um morador ilustre, Manoel Delgado da Silva, o Tineca França, uma espécie de Professor Pardal de Lima Duarte. Tineca instalou ali, em seu sítio do Barulho o pimeiro gerador elétrico de que se tem notícia, e cobrava ingressos para os que vinham de longe ver acesas as famosas lâmpadas elètricas. Por insistência do Vigário de Lima Durte na época, Padre João Batista da Silva e de Alfredo Catão, estendeu a linha até a Matriz, deixando um bico de luz bem no Largo, onde se fizeram dicursos inflamados pela importância da ocasião. Pelo Barulho passava também o ramal da EFCB, que deixou ali alguns sinais, como a Ponte sobre o Córrego Bom Retiro, em cujo pegão da margem direita vê-se restos da inscrição em ato relevo E.F.C.B., que pretendo restaurar. A dita ponte foi aproveitada pela Prefeitura, que fundiu vigas em concreto e cobriu tudo com uma laje, colocando além disso horríveis guarda corpos, que nada tem a ver com  arquitetura dos pegões. Fiquei impressionado com o acabamento dos pegões, principalmente pela precisão das quinas, verdadeirs obras de arte em pedra almofadada. Servem hoje de acesso ao Bairro Batatal. Para efeito de comparação, veja a ponte que dá acesso da estrada do Barulho ao Recanto Alegre, obra da Prefeitura, feia e torta. Adiante, na Cachoeira do Barulho, onde há um dique para moinho de água, vê-se também um muro de contenção, também construído pela Central para sustentar a saia do aterro, bela obra em pedra que o descaso vai ruindo, levado pelos entulhos que insistem em jogar ali. A cachoeira é muito bonita, mas paga o pato por estar num córrego que recolhe de graça para a Prefeitura, todo o esgoto do Centro da cidade...
Será que um dia voltará a ser limpo? Quem viver verá...
Mesmo poluído, o local é belo e poderia ser urbanizado,com arborização e trilhas de acesso.

domingo, 17 de julho de 2011

A CAIXA IMPORTADA

Sempre que vou à Lima Duarte, revejo velhos amigos. Com eles converso e coloco assuntos em dia, descubro coisas novas, principalmente as relacionadas à historia de Lima Duarte. Assim foi com Zezinho, morador da Rua Leão XII (Beco da Cooperativa), velho companheiro do Partido dos Trabalhadores, em que fui filiado e até candidato a vereador com votação medíocre. Zezinho, cujo nome é José Antonio da Silva, é filho de ferroviário e mais conhecido como Zezinho da Capoeira, sempre me conta novas estórias, tem sempre novas informações, já que está sempre pedalando pela terrinha. Por ele fiquei sabendo de uma caixa de água que teria vindo pelo trem para Lima Duarte, e o mais curioso, a tal caixa tinha escrito em uma de suas faces o nome Diocleciano Vasconcelos, nome oficial da estação que o povo batizou carinhosamente de Paradinha...Bem,o curioso é que essa inscrição tem pelo menos 37anos, já que o último trem saiu de Lima Duarte em 1972. Lá vamos nós em busca da tal caixa. Fotografei-a para que se registre os fatos. Estranha ter se conservado ao sol e chuva. A tal caixa, de cimento amianto, hoje obsoleta por conta da má fama de cancerígena, aposentou as velhas caixas de água de cimento que eram fundidas por aqui mesmo, muito pesadas e de difícil manuseio, e o mais curioso, sem emenda e emprego de ferragem.Ela testemunha a importância do trem como meio de transporte na epoca e pela inscrição, é peça de museu, pois é mercadoria transportada pelo trem, como atesta o destino de entrega, grafado em azul. É o passado, que insiste em vir à tona. Nesse mesmo dia fomos eu e Zezinho ver um muro de arrimo da EFCB na cachoeira do Barulho e a Ponte do Recanto Alegre. Posto fotos e conto depois.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

CAMINHOS ANTIGOS 2

Por falar em caminhos antigos,vale lembrar que a Rua Antonio Carlos é o primeiro deles. Como se sabe, a origem do Povoado do Rio do Peixe, que depois chamar-se-ia Lima Duarte, teve inicio na construção de uma capela dedicada a Nossa Senhra das Dores, erguida no início do século XIX, em terreno que fazia parte da Fazenda do Engenho, pertencente a Dona Inácia da Assunção Delgado, viúva de José Delgado Motta,  Cabo de Esquadra da Vila de Conceição de Ibitipoca. A Fazenda do Engenho ficava situada perto do Rio do Peixe,além da localidade hoje denominada Ponte Nova, hoje habitada pelo senhor Sílvio Delgado. Dela hoje restam apenas ruínas dos alicerces. Alí nasceu o tronco da família Delgado em Lima Duarte, dentre eles Francisco Delgado Mota, que junto com João de Deus Duque são considerados os principais fundadores da Municipalidade. O caminho da Fazenda à ermida de Nossa Senhora das Dores é a atual Rua Antonio Carlos, dantes chamada Rua XV de Novembro, mais conhecida por ser nela que fica o Calçadão de Lima Duarte. Dali a trilha se ramificava em direção ao que hoje chamamos de Barreira e para o lado da Fazenda dos Duque, onde morava o Comendador João de Deus Duque, ainda hoje existente e situada atrás da Delegacia de Polícia Civil de Lima Duarte. Daí a trilha subia em demanda da Serra do Rio do Peixe(ou de Lima Duarte) atingindo São Sebastião do Monte Verde, Santa Bárbara do Monte Verde, Rio Preto, Valença...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

CAMINHOS ANTIGOS...


Sempre me interessei pelo traçado dos antigos caminhos. Toda vez que posso saio a percorrê-los, a pé, a melhor forma de poder conhecê-los e entendê-los. Sim, entendê-los, pois na maioria dos casos os caminhos que hoje usamos não tem nada a ver com os caminhos antigos. Quem hoje vem de Juiz de Fora para Lima Duarte, passa pelo Bairro Piúna ou Patrimônio, na maioria das vezes e nem imagina que a antiga estrada chegava pelo Barulho, seguia pela hoje Rua Sete de Setembro, passava pela Paradinha, passava em frente à Jong para só depois tomar a rua que dá no centro, hoje chamada Antonio Carlos e antigamente denominada Rua XV de Novembro.Mas pergunta-se: por que tantas voltas. Primeiro havia o brejo e seus atoleiros, num tempo em que o Córrego do Bom Retiro tinha água e lambari...Depois a estrada de ferro esgotou o brejo, aterrou a várzea e permitiu a passagem dos trilhos.Esse foi o caminho de quem chegava a Lima Duarte de carro, a cavalo ou de carro de boi até a inauguração da BR 267 em 1973.Uma pequena alteração ocorreu nos anos 1950, quando abriu-se uma rua onde hoje fica a Cooperativa, encurtando o trajeto e eliminando a subida da ladeira em frente à Jong. O caminho que hoje conhecemos surgiu depois que a BR 267cortou e interligou o que hoje chamamos de Tês Porteiras, Piúna e Afonso Pena (Pau doOco), um pouco depois da extinção do ramal  da Estrada de Ferro Central do Brasil. A foto antiga, extraída do site www.estações ferroviárias.com.br, mostra Lima Duarte por volta de 1950.Dá pra ver a antiga linha de trem e a entrada de que falei, passando em frente à estação no canto superior direito.

O PONTILHÃO E SUAS COLUNAS

Desde que nasci,em 1970, moro na Beira Rio, hoje mais conhecido como Caminho da Serra, antiga Rua General Setembrino de Carvalho, que depois daquelas conhecidos projetos de lei de vereador puxa saco, acabou virando Rua Joaquim Otaviano.
Cresci pertinho da Estação, nossa imensa área de lazer, onde corríamos entre as ruínas do pátio ferroviário, pulando o canal de drenagem e pisando as britas remanescentes do lastro.
Com isso, o caminho para o Centro passava pelo Pontilhão, ou melhor, por baixo dele, bem em frente ao Albergue.
Nesse tempo, o Pontilhão era um imenso monstro de ferro, cor de zarção, escurecido pelo tempo, sua base em pedra cheia de tufos de capim gordura. Ao lado, a grande placa de ferro fundido onde havia a inscrição: "Ponte de Lima Duarte, com a extensão e a posição quilomètrica a partir da cidade do Rio de Janeiro. Passar sobre o  Pontilhão era prova de valor, um ritual de passagem: só os "homens conseguiam"... Ali acabava a Barreira e iniciava o Centro, por isso o local era limite de território de turmas, bem distante das gangues de hoje. Um bairrismo besta, que de tão inocente, dá até saudade... E tombaram o Pontilhão, com decreto e tudo. Mais tarde colocaram sobre ele uma laje de concreto e um guarda corpo franzino...
Ei-lo como está hoje. Note que a base de sustentação é toda de pedra, com colunas de concreto no apoio da estrutura. Essas colunas foram fundidas depois, já que a estrutura de ferro ficou curta e teve que ser feito um reforço para suportar o peso.