terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Represa do Pau do Oco

Placa alusiva à inauguração
Uma das condições para a sobrevivência de uma cidade é o seu abastecimento de água. Dessa forma a questão das águas é sempre uma preocupação para autoridades. Em Lima Duarte, a primeira adutora de água foi localizada na Fazenda do Tenente Coronel João de Deus Duque (hoje Recanto dos Duque), que por sua localização e pouco volume, logo se tornou insuficiente. Logo depois é captado o manancial de Carlos Moreira (pai de Análio Moreira), o qual serve a cidade por muitos anos com sucesso. Com o crescimento da cidade, torna-se necessário captar outras nascentes, sendo assim feito no Matadouro e na Beira Rio. Porém a demanda cada vez maior fez surgir a necessidade de uma nova adutora. A solução foi captar água no Córrego Bom Retiro, acima do Bairro Afonso Pena. Em 04 de Novembro de 1972, o prefeito Antonio Marciano de Paula Filho inaugurava a nova adutora de Lima Duarte, situada acima do Bairro Afonso Pena
O vertedouro da Barragem
e a casa do Tomador de Conta

 Alí, por meio de tubulação de amianto, a mais moderna para a época, a água era levada até a estação de Tratamento de Água na Vila Belmira, onde era submetida a decantação e passagem por filtro de areia, suficientes para purificar a água nas condições exigidas para a época. Da Vila Belmira era conduzida até a caixa d'água do Alto da Matriz, onde era distribuída por gravidade a toda a cidade. Paralelamente, a prefeitura iniciou a abertura de poços artesianos, um na Barreira, e frente à Escola Pedro Paz, e outro na esquina da Santa Casa (Prezinho). Mais tarde seria construída a Adutora da Cachoeira do Sossego e a da Samambaia, assuntos para outras páginas. Com a adição de novos mananciais a represa do Pau do Oco seria abandonada posteriormente e seu lago assoreado e 
Vista lateral da Barragem
tomado pelo mato. Em seguida, seria construída a montante a Usina de Triagem e Compostagem de Lixo. O local é belo, e tem potencial para sediar um Parque público de lazer, inclusive com instalação de benfeitorias e arborização do entorno. Possui bela queda d'água e uma boa vista dos arredores, além de estar muito próximo da cidade. Sua implantação seria um termômetro vivo para mensurar os danos e resultados da Usina de Lixo, obra muito contestada por sua localização, sepultando várias nascentes...
Talvez seja por isso que ninguém cuida mais da represa... Que dizem, já foi muito bonita!!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Tombamento da Serra de Lima Duarte

 O que seria de Minas Gerais, sem as montanhas? O próprio mar, sem a moldura das montanhas nada mais é que um monte de água reunida, movendo-se sem graça... 
Lima Duarte não foge à essa regra: situada em terreno acidentado , a cidade espalha-se ao sopé da Serra do Rio do Peixe, depois batizada de Serra de Lima Duarte!! Um imenso paredão que se estende desde a Serra da Saudade, na divisa com Juiz de Fora ao Pão de Angú, na divisa com Olaria... 
Sempre visito a Serra de Lima Duarte! Aliás, mais que Ibitipoca. Acho-a mais nossa, menos cosmopolita!! A primeira vez que lá estive, foi em 1986, visitando as cercanias da antiga Torre Repetidora de Televisão, situada no trecho conhecido como Serra da Calçada. Voltei impressionado com a beleza do local e ciente da necessidade de preservá-lo. Retornei a Serra várias vezes.E assim fui fazendo descobertas: grutas, cachoeiras, orquídeas, bromélias, formações rochosas, trilhas antigas, araucárias.... Ah, as araucárias... Belas árvores altaneiras, tronco reto, áspero, galhos em alinho... 
Nossa serra tem ainda alguns grupos de araucárias, algumas bem idosas, como a da foto do pé de página, que tem 3m86cm de diâmetro...Apesar de raras e imunes de corte, essas árvores ainda são vítimas de agressões., que vão desde a ameça do fogo, pisoteio de animais, desgaste do solo, raios e corte. As da foto encontram-se num vale, abaixo do local onde ficava situada a torre de televisão. Um lugar muito belo, poético e tristemente agredido... Lembrei-me de uma estória que meu pai contava, a respeito dos pinheiros: Era costume herdado dos índios o plantio pelos antigos de araucárias, em vista do consumo dos pinhões e da madeira, leve, macia e durável... Por isso, era muito comum plantar-se carreiras de pinheiros pelas propriedades, formando belas aléias ou carreiras, como se diz em mineirês... No final do século XIX um surto de febre aftosa grassou pela região, dizimando todo o rebanho bovino. Os fazendeiros não tinham como sobreviver e a saída foi derrubar os velhos pinheiros, que forneceram madeira e garantiram a sobrevivência de muitas famílias. Porém, não se plantou mais pinheiros e o que se viu foi a quase extinção da espécie, sobrevivente apenas em áreas de difícil acesso, como nos grotões da serra.. Pra piorar, a pecuária expandiu-se ainda mais e os pinheiros foram derrubados por ferirem o gado.. Os que vemos por aí, são sobreviventes.. Belos sobreviventes, com a força dos que desafiam o tempo, as adversidades, os raios e os ventos contrários.

 Esse exemplar fotografado abaixo, é bem peculiar. Abre-se em dois a uns dois metros do solo, e forma a bela copa que está na foto de cima, vazada pelos raios do sol. É o mais idoso do grupo, com idade calculada em mais de 60 anos.Seu tronco foi calcinado pelo fogo criminoso que devastou a Serra de Lima Duarte por quase uma semana em 2007, e só foi detido quando se aproximou da cidade. Bem perto dali, na antiga torre, um novo inimigo avança sobre os velhos pinheiros: pequenas mudas de eucalipto, frágeis ameaças, anunciando o deserto verde que estão plantando do outro lado da serra.
Um imenso deserto verde erguido sobre frágeis bromèlias e orquídeas, plantado no solo quartizítico, ameaçando nascentes e roubando espaço de candeias. Bem debaixo do nosso nariz!!